Donatello is the name and staff is the game...
Beleza, menos de um mês de treinos de Lohan Tao e já me metem a minha arma favorita nas mãos. Pela primeira vez tive uma aula a sério sobre técnicas e manejo do bastão longo, uma das primeiras armas usadas pelo homem e também uma das minhas favoritas.
A simplicidade do Bastão engana bastante quem o menospreza. Utilizado correctamente torna-se uma extensão do corpo e aumento o circulo de defesa e de ataque
Seja Gun em Chinês ou Bô em Japonês, flexível ou rigido, esta simples arma é das mais famosas no mundo das artes marciais bem como das mais usadas na idade média, especialmente por aqueles que não tinham posses para melhores armas.
No Japão o Bo é uma arma com um comprimento variante entre 180cm e 210cm geralmente feito de carvalho ou bamboo, bastante rígidos são utilizados com técnicas mais directas que as das artes marciais chinesas. Por serem consideradas extensões do corpo, as suas técnicas fazem lembrar muitas vezes outras técnicas de mãos nuas.
O Gun refere-se ao bastão longo chinês usado em artes marciais. Juntamente com a lança, o dao (sabre) e a jian (espada) faz parte das 4 armas principais, conhecidas como os "Avós de todas as armas".
Este bastão é feito na maioria das vezes a partir de ligustro e não bamboo como se poderia pensar. Este tipo de madeira é forte, mas bastante flexível tornando-se ideal para as técnicas chinesas.
Em Portugal desenvolveu-se também uma arte baseada neste belo utensílio. A única arte marcial Portuguesa, o Jogo do Pau.
"Em muitas sociedades a espada desenvolveu-se como uma arma à qual era atribuído um carácter sagrado, sendo o seu porte apanágio apenas da classe da nobreza guerreira. Aos populares era interdito ou dificultado o seu uso, pelo que este aperfeiçoava habitualmente sistemas de combate alternativos, de mãos nuas ou com recurso às ferramentas do dia-a-dia. Quem está familiarizado com a história do surgimento do karaté (que significa “mãos nuas” em japonês) em Okinawa sabe que se desenvolveu em paralelo o kobudo, que inclui técnicas de uso de foices, paus, matracas que eram usadas como malho, etc... Era com este arsenal que o camponês ou pescador podia defrontar quando necessário os orgulhosos ocupantes samurais, armados com katanas e outras armas de guerra. Também em Portugal o povo desenvolveu um sistema de combate usando como arma o cajado que acompanhava para todo o lado, até há poucos anos, os pastores e camponeses. Este sistema veio a ser conhecido pelo nome de Jogo do Pau, tendo aqui a palavra “jogo” não o sentido de “brincadeira”, mas o de “técnica” ou “manejo”.
Já bem dentro do século XX eram ainda frequentes por Portugal inteiro, mas com destaque para o norte do país, os combates de pau nas feiras e romarias. Por vezes envolviam estas rixas aldeias inteiras, outras vezes as lutas eram individuais, ou de um jogador contra vários. Era o tempo dos “puxadores” (nome que se dava aos jogadores do Norte) e dos “varredores de feiras” (jogadores afamados que se deslocavam às feiras e romarias para desafiarem outros, provando assim o seu valor através da vitória contra todos). Mestre Monteiro, originário da região de Fafe, conta que no tempo da juventude de seu pai havia duas povoações que frequentavam ao Domingo a mesma capela, levando, como era de tradição, cada homem ou moço a sua vara, de tal forma que quando se ajoelhavam na missa se viam todos os paus em posição vertical saindo acima das cabeças. Depois da cerimónia era frequente, num largo ali perto, haver conflitos entre os rapazes das duas aldeias, que começavam por qualquer pequena razão (um piropo a uma rapariga da aldeia vizinha, os ciúmes de um enamorado preterido por outro, uma discussão por causa de canais de irrigação...) e que se resolviam à paulada. Mas não se pense que era o combate destituído de regras. Havia um código ético, que proibia aos lutadores baterem em homem que não levasse pau, ou que estivesse por terra. Ainda se contam nos círculos da modalidade histórias antigas como a do “Manilha”, que depois de vencer e desarmar três atacantes que o haviam emboscado, atirou o pau ao chão. Ou a de um jogador de grande talento do Porto, chamado Carvalho, feirante de gado, que na Feira dos 26 em Angeja, perto de Aveiro, conseguiu aguentar-se sozinho contra um grupo que o atacava, até que tropeçou e caiu para o chão, e nessa altura o melhor jogador dos adversários saltou para o seu lado, pronto a defendê-lo, dizendo aos seus companheiros que quem pretendesse bater no valente caído tinha que lutar primeiro consigo. Também na literatura podemos encontrar histórias sobre o jogo do pau, nomeadamente em autores como Aquilino Ribeiro e Miguel Torga. A partir dos anos 30 o jogo do pau começou a perder importância. Os motivos são vários: a acção das autoridades policiais, que para evitar lutas sangrentas passaram a proibir o uso dos paus dentro dos recintos das feiras; a emigração de muitos homens para os meios urbanos ou para o estrangeiro; a generalização do uso de armas de fogo, que tornou desnecessária a aprendizagem demorada e difícil desta técnica para a defesa pessoal." (Wikipédia)
Independentemente da origem, para este morcego rafeiro, nenhuma arma de fogo poderá alguma vez ter a beleza e o carácter de uma arma clássica, especialmente uma tão bela como o simples bastão.
Hasta la próxima, squick
Sem comentários:
Enviar um comentário