segunda-feira, 25 de maio de 2009

Pensando na morte

Pensando na morte. Essa verdade única e irrefutável. Ninguém lhe consegue escapar ou esquivar-se. Chegando a hora, simplesmente acontece, independentemente do credo, posses, raça, sexo ou idade.
No oriente o luto é feito de branco, embora se sofra a perda da pessoa querida, celebra-se o fim do sofrimento. No ocidente o luto veste preto e toda a gente chora a passagem do defunto dizendo de forma vazia que está num local melhor.
Há umas semanas morreu o irmão de um colega de trabalho, vítima dessa doença que tantas vidas ceifa conhecida como cancro. Nessa altura lembrei-me de escrever este texto a pensar no triste espectáculo de vida que um funeral é.
Não sei bem porquê, a sociedade vê os góticos e afins como pessoas que têm uma fixação pela morte. Não será antes o contrário? A todos os velórios que fui quem encontrei? A família do defunto a chorar numa área designada, as pessoas que passam em redor do caixão, uns por amizade, outros para se despedirem, outros apenas para ver o morto e claro, os intermináveis cochichos, intrigas e codrilhices dos presentes. Ele era isto, era aquilo, fez isto, era um bom rapaz, bom marido, trabalhador, etc, etc, isto quando o tema é o defunto, e não outra coisa qualquer.
Seja por burrice humana, por ser a nossa hora ou por qualquer outro motivo externo, a morte é algo natural, não sabemos o que nos espera do outro lado, sabemos apenas que a vida daquele ser na terra chegou ao seu fim. Supostamente, com isso, vem o fim do sofrimento, da angústia e de todo o mal e dor que se sofre quando estamos vivos. Mas no meio de tudo isto, parecem ser aqueles que seguem as regras da sociedade os mais absorvidos pela morte.
Como disse Daidoji Yuzan “A existência é tão efémera quanto a geada da manhã e o orvalho do entardecer”. Quando chegar a minha hora, apenas posso esperar que se cumpra a vontade. Quero arder como os guerreiros pagãos de antigamente e ascender a Valhalla para o grande festim dos deuses. Sem grandes velórios, aquelas procissões enormes a caminho do cemitério, para que todos saibam que o defunto tinha muitos amigos ou era conhecido de muitos, não, prefiro algo mais simples. Se quiserem mostrar amizade por mim nessa hora, façam uma festa e lembrem-se de mim assim, afinal, é apenas o inicio de mais uma aventura =).

2 comentários:

Jujikas disse...

Eu vou dançar nua no teu caixão e dps uma rave em tua honra... LOL
K doido isto é coisa k s fale Morcego? Ao menos posso ficar com a tua guitarra? E a colecção de DVD's? Hum os teus queimadores, e as cenas do taeko... Juro k as trato bem!

Bjocas!

Sofia C. disse...

Muita gente chora a passagem do defunto dizendo de forma vazia que está num local melhor, forma vazia essa, que apenas quer demonstrar o espaço vazio que foi marcado no coração dessa gente, pela perda da presença de tal pessoa nas suas vidas, porque apesar das recordações boas, a presença do defunto deixa de existir materialmente, e passa a existir, se para aí estiverem para acreditar, a nível espiritual.
Pode não ser a forma mais correcta, mas talvez, como vitima dessa mesma sociedade, não consigo encontrar melhor resposta para um falecimento,... por experiência recente, sei como conforta poder haver uma despedida do corpo da pessoa que partiu, poder partilhar um pouco da revolta que se sente aquando a sua ida...na nossa sociedade, em geral, isso acontece nos velórios. Em que a família mais próxima se junta e vê supostamente, pela ultima vez o seu ente querido. É natural que nesses momentos de angústia os amigos dos familiares queiram de alguma forma poder confortá-los. As pessoas sentem muita vez na pele, o desconforto de não poder voltar dar vida a quem já faleceu, sentem-se vazias, totalmente incapazes de fazer o que quer que seja, o que apela à crença.

Que bom que revelas/expões claramente a visão de depois, aparecerem os "intrusos não convidados" que apenas vão lá ou só se lembram que têm amigos nessas alturas, aqueles que nem amigos foram e só vão por mera curiosidade de ver como é um ser humano morto, ou simplesmente para comentar como estava a família (comportamento da família, se o defunto apresentava sinais de deformação maiores ou menores), porque é da nossa natureza, a curiosidade pela morte...muitos abusam da dor dos outros para satisfazer a sua curiosidade (ex. acidentes de trânsito e 500000 pessoas agrupadas à volta do pobre do caramelo que sofreu o tal acidente). Isso é deveras triste. Torna-se uma completa falta de respeito para os familiares e amigos...mas que podem eles fazer? Armar um escândalo no meio do velório e dar mais "paus para a fogueira" dos codrilheiros de serviço? A maior parte opta por se manter calado e deixar que falem o que quiserem...

Por outra perspectiva, não muito agradável, mas também não completamente horrível, aquando a ocorrência de um funeral, pode não haver festarola, mas de certo modo, é um "evento" que junta muitas vezes, pessoas da família que por algum motivo pessoal ou profissional, já não se encontravam ou viam faz tempos! Desse modo, a codrilhice acontece naturalmente, o que não implica completo desrespeito pelos membros da família mais lesados pelo falecimento, quem sabe, de certa forma, ajude até a "distrair" um pouco o pessoal dos pensamentos negativos trazidos pela perda...

Concordo plenamente com a parte da "festarola", mas só após da parte da despedida, uma vez que, se a pessoa for realmente crente, depois do momento doloroso, sabe que de nada adianta, e deve apenas alegrar-se pelo facto de ele estar no tal local melhor (que proclamaram de forma vazia).

Os góticos...não sei descrever, é como tudo, há góticos e góticos... Mas a sua maioria de maneira alguma tem fixação pela morte!!! Isso só trás à baila a ignorância das pessoas! Porquê falar do que não conhecem, certo? Palpites, enfim...Grande dissertação - lol
Acabei por me entusiasmar...
A tua ideia tá lá! Diz tudo, e se não diz, o pessoal que ponha a caixa dos pirolitos a trabalhar um pouco (inclui grande abertura de mente e desobstrução da parte embirrante do ser em questão), de preferência à noite, e se possível com a ajuda de um gótico, depois de uma conversa pacifica e amena, vão ver que nesse aspecto não há fixação alguma pela morte, apenas uma afinidade por sentimentos complexos, pouco explorados ou até mesmo ignorados pela maioria das pessoas!

Será que leste tudo até aqui?!?
Sorry pelo testamento! :D
Jks e espero continuar a seguir o blog!